Flávio Bolsonaro liderou o 1º turno com 47,03%, contra 45,16% de Lula. Entenda o cenário do 2º turno e os dois modelos de infraestrutura em disputa para a logística até 2030.
2º turno: o que está em jogo para a logística brasileira
Com menos de 2 pontos de diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula, a eleição de 25 de outubro vai definir qual modelo de infraestrutura o país seguirá até 2030.
O 1º turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (4), terminou com Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificados para o 2º turno, marcado para 25 de outubro.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,99% das urnas apuradas, Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos votos válidos. Lula teve 53,9 milhões, ou 45,16%. A diferença ficou em cerca de 2,2 milhões de votos.
Uma disputa apertada e com votos em aberto
A vantagem do primeiro colocado costuma pesar no 2º turno. O próprio Lula conhece esse cenário: em 1989, ficou atrás de Fernando Collor no 1º turno e perdeu a disputa final.
Desta vez, porém, a margem é estreita, e há muitos votos em jogo. Os demais candidatos somaram cerca de 7,8% dos votos válidos. Só Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) tiveram juntos mais de 6,1 milhões de votos, quase três vezes a diferença entre os dois primeiros colocados. A abstenção chegou a 21,08%, segundo a Agência Senado.
Os candidatos
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é senador pelo Rio de Janeiro e disputa a Presidência pela primeira vez. Seu vice é o deputado federal Alfredo Gaspar (PL).
Lula, de 80 anos, exerce o terceiro mandato e busca a reeleição. Seu vice é Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador de São Paulo.
Dois modelos de infraestrutura
Para o setor logístico, os dois candidatos representam caminhos diferentes. A série da MundoLogística sobre os planos de governo mostra as principais diferenças.
Flávio Bolsonaro: o setor privado constrói
O plano de Flávio parte do custo logístico brasileiro, de 15,5% do PIB contra 8,8% nos Estados Unidos, e aposta na iniciativa privada para construir e operar a infraestrutura. As principais propostas são:
concessões, PPPs e um novo modelo de financiamento com fundo lastreado em ativos da União;
licenciamento ambiental com prazo definido, com concessão automática da licença se o órgão não se manifestar a tempo;
regras estáveis por até 20 anos para projetos de longa maturação;
Corredores Logísticos Inteligentes do Centro-Oeste até os portos;
destravar a Ferrogrão e a Hidrovia do Tapajós, e concluir a Transnordestina com extensão à Paraíba e ao Rio Grande do Norte;
ampliação da capacidade de armazenagem de safras.
O plano cita R$ 900 bilhões em investimentos, mas não detalha como esse valor se divide entre os modais nem quanto seria público e quanto privado.
Lula: continuidade e descarbonização
O plano de Lula aposta na continuidade do Novo PAC, que, segundo o documento, somou R$ 1,3 trilhão em investimentos. As principais propostas são:
manter o ritmo das concessões rodoviárias. Entre 2023 e 2025, foram 22 leilões, R$ 247 bilhões contratados e mais de 10 mil km concedidos;
intensificar os leilões de ferrovias e repactuar os contratos existentes;
novos arrendamentos portuários e concessão da manutenção dos canais de acesso;
investimentos em aeroportos regionais;
priorizar obras com potencial de descarbonização, com expansão da malha de gás natural e incentivo aos biocombustíveis.
O ritmo de execução, no entanto, ficou abaixo do previsto em 2026. A meta de leilões rodoviários caiu de 13 para 7. Dos oito leilões ferroviários previstos, apenas o do Corredor Minas-Rio estava confirmado até setembro.
O que observar até o dia 25
Nas próximas semanas, o setor deve acompanhar como cada candidato vai detalhar suas propostas para a infraestrutura. Também vale observar quais compromissos serão assumidos com os eleitores dos candidatos que ficaram de fora. O resultado vai definir o ritmo das concessões, o modelo de financiamento das obras e as prioridades entre rodovias, ferrovias, portos e hidrovias pelos próximos quatro anos.
Este conteúdo faz parte da série da Loog sobre as eleições de 2026 e a logística brasileira. Fontes: TSE, Agência Senado e MundoLogística (plano de Flávio Bolsonaro e plano de Lula).
